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Saiu o Jabuti!*

51° Jabuti anuncia seus vencedores

Moacyr Scliar venceu na categoria romance, com Manual da paixão solitária. Milton Hatoum ficou em segundo lugar com Órfãos do Eldorado e Cordilheira garantiu a Daniel Galera a terceira colocação.

Vanessa Bárbara teve seu O livro amarelo do terminal premiado com o primeiro lugar na categoria reportagem. Entre os indicados na categoria poesia, venceu Dois em um, de Alice Ruiz, seguido por Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa, organizado pelo Instituto Moreira Salles, e Cinemateca, de Eucanaã Ferraz.

Na categoria biografia, Lilia Moritz Schwarcz foi a primeira colocada, com O sol do Brasil, seguida por José Mario Pereira, com José Olympio, o editor e sua casa, e Humberto Werneck, com O santo sujo: a vida de Jayme Ovalle.

Para ver a lista completa dos vencedores, acesse http://www.cbl.org.br/jabuti.

*Texto retirado do Blog da FLIP.

PALAVRAS

Golpes
De machado que fazem soar a madeira,
e os ecos!
Ecos partem
Do centro como cavalos.

A seiva
Jorra como lágrimas, como a
água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido por ervas daninhas.
Anos depois as encontro
Na estrada —

Palavras secas e sem rumo,
Infatigável bater de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço estrelas fixas
Governam uma vida.

(Tradução: Ana Cristina César!!!)

R0C0300 por Nilton Souza©

A Salvador do fotógrafo Nilton Souza é a capital dos Céus. Vista sempre de cima, a Cidade da Bahia parece vigiada por Deus. Às vezes, é um emaranhado do concreto dos prédios. Outras vezes, o colorido dos casarões antigos. É também o desenho das casas sem reboco, mas quase sempre é contornada pelo azul do mar. É com esse olhar que Nilton lança o livro “Salvador aérea”, na terça-feira (22), no Museu de Arte Sacra, com coquetel às 19h.

A publicação reúne uma seleção rigorosa de imagens em ângulos inusitados da cidade, sempre vista de uma perspectiva pouco comum, talvez por isso mais bela e encantadora. Publicada pela Edufba (Editora da Universidade Federal da Bahia), a obra é dividida em cinco partes: Cidade Aberta, Cidade Antiga, Cidade Moderna, Cidade Plural e Águas. Foi uma edição estabelecida pelos professores da Ufba Ângela Gordilho e Fernando da Rocha Peres para organizar em ordem temática as 176 páginas repletas de fotos. Os dois assinam os textos.

A primeira parte remete à Cidade Aberta por conta da visão geral de Salvador, com ângulos amplos, sempre de cima. Salvador parece se transformar numa grande maquete.

Em seguida, a Cidade Antiga presenteia os leitores com fotos da arquitetura histórica da capital baiana, como o Mercado de Santa Bárbara, os Museus de Arte Sacra e de Arte Moderna, e tantos outros. “Ninguém faz ideia do que é o Mosteiro de São Bento de cima. É uma visão que ressalta a beleza das coisas”, testemunha Nilton. “O Convento do Desterro é outro exemplo. De baixo só se vê muro, mas de cima se vê os quadrados da luz e seu contorno arquitetônico”.

Depois da Cidade Aberta e Antiga, chega-se à Cidade Moderna, na qual os bairros de classe média e as grandes avenidas são retratados em todos os seus contornos.

Na seqüência aparece a Cidade Plural, na qual são focadas as dicotomias de Salvador. “Essa é a parte da crítica no livro. O contraste entre o Nordeste de Amaralina e a Pituba, por exemplo, dão o tom das diferenças sociais de nossa cidade”, esclarece Nilton.
ICNS008387 por Nilton Souza©
Por fim, a seção Águas mostra a Salvador rodeada pela Baía de Todos-os-Santos e pelo Oceano Atlântico. O mar parece ter sido esculpido pelas lentes de Nilton, ganhando texturas impressionantes. O Forte São Marcelo aparece numa imagem única, contornado pelo quebra mar permanente e pelo rastro de uma lancha, do outro lado, que fez o contraponto exato para encaixar o Forte no meio. Parece uma imagem ensaiada, mas é mesmo sorte e talento de fotógrafo.

Nilton também retratou dois saveiros irmãos navegando em harmonia com a Ponta de Humaitá e o Corredor da Vitória ao fundo. Imagens que tocam aqueles que conhecem a Bahia e encantam os que ainda não conhecem, mas que, depois de vê-las, certamente vão conhecer.

“O livro tem uma nitidez espetacular, com cores bem definidas,  ressalta Nilton, satisfeito com a impressão final. O livro será comercializado em algumas livrarias e em pontos turísticos, além do site www.niltonsouza.com.br. Outro modelo de negócio é por encomenda. A obra conta com uma sobre-capa em que é possível personalizar a contra-capa para empresas interessadas em presentear seus clientes com um ótimo exemplar.

O quê: Coquetel de lançamento do livro “Salvador aérea”, do fotógrafo Nilton Souza
Quando: dia 22, terça-feira, às 19h
Onde: no Museu de Arte Sacra, na rua do Sodré, Centro
Editora: Edufba
176 pág, 5 mil exemplares
Preço: R$ 95 (promoção no lançamento)
Mais informações: 9161-1313 / 9938-9736  www.niltonsouza.com.brniltonsouza@niltonsouza.com.br

*Texto do jornalista Vítor Rocha

IV

No descomeço era o verbo.

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá onde a

criança diz:  Eu escuto a cor dos passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um verbo, ele

delira.

E pois.

Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer

nascimentos -

O verbo ter que pegar delírio.

Manoel de Barros, in “O Livro das Ignorãças”.

A lição veio através de Elisa Lucinda, citando Adélia Prado, no Saraiva Conteúdo. Um poema lindo (reproduzido abaixo), imerso em uma ótima entrevista.

Ex-voto

Na tarde clara de um domingo quente, surpreendi-me
Intestinos urgentes, ânsia de vômito, choro
Desejo de raspar a cabeça e me por nua no centro da minha vida
E uivar até me secarem os ossos
Que queres que eu faça Deus?

Quando parei de chorar, o homem que me aguardava disse-me:
Você é muito sensível, por isso tem falta de ar!
Chorei de novo porque era verdade e era também mentira, sendo só meio consolo

Respira fundo, insistiu!
Joga água fria no rosto, vamos dar uma volta, é psicológico

Que ex-voto leva à Aparecida se não tenho doença e só lhe peço a cura?
Minha amiga devota se tornou budista. Torço para que se desiluda e volte a rezar comigo as orações católicas.

Eu nunca ia ser budista!
Por medo de não sofrer, por medo de ficar zen
Existe santo alegre ou são os biógrafos que os põem assim felizes como bobos?

Minas tem coisas terríveis.
A serra da piedade me transtorna.
Em meio a tanta rocha de tão imediata beleza, edificações geridas pelo inferno, pelo descriador do mundo.

O menino não consegue mais, vai morrer, sem força para sugar a corda de carne preta do que seria um seio, agora às moscas.

Meu coração é bom mas não aceita que o seja.
O homem me presenteia.
Porque tanto recebo quando seria justo mandarem-me à solitária?

Palavras não, eu disse. Eu só aceito chorar!
Porque então limpei os olhos quando avistei roseiras e mais o que não queria, de jeito nenhum queria aquela hora, o poema, meu ex-voto.
Não a forma do que é doente, mas do que é são em mim.
E rejeito e rejeito premida pela mesma força do que trabalha contra a beleza das rochas.

Me imploram amor Deus e o mundo.
Sou pois mais rica que os dois.
Só eu posso dizer a pedra: És bela até a aflição!
O mesmo que dizer a ele: Sois belo, belo, sois belo.

Quase entendo a razão da minha falta de ar
Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor.

A uns, Deus os quer doentes, a outros quer escrevendo.

Vi no Jornal A Tarde.

Projeto Fala Escritor terá palestras e recitais

“A segunda edição do Projeto Fala Escritor, que acontece na Livraria Saraiva do Salvador Shopping, este ano vai contar com palestras, lançamentos, recitais e apresentações musicais. O evento, que é gratuito, ocorre neste sábado, 12, a partir das 18h.

Na ocasião, será apresentada a palestra Marketing Pessoal para Escritores, ministrada pelo escritor e jornalista Carlos Souza, autor do Livro Revolução Pessoal. Souza vai apresentar estratégias para escritores que tenham interesse em adquirir visibilidade na mídia tradicional e contemporânea”.

(…) Texto completo aqui.

| Serviço |

Projeto Fala Escritor
Onde: Livraria Saraiva Mega Store do Salvador Shopping (Espaço Castro Alves)
Quando: Dia 12 de setembro  (sábado),  às 18h.
Informações: (71) 8831-2888

primavera

quase primavera
explode em flor
o tesão da terra

De 10 a 13 de setembro de 2009, sempre das 18:30 às 21h., no segundo pavimento da antiga mansão dos Martins Catharino, no Palacete das Artes Rodin Bahia, ocorrerá a instalação cênica O engenheiro que virou maçã, resultado do projeto Construções Compartilhadas -  residência artística em dança contemporânea sob a direção de Duto Santana e Rita Aquino, que foi contemplada  com o Prêmio Interações estéticas – residências artísticas em pontos de cultura 2008, da Fundação Nacional das Artes, Ministério da Cultura.

Este projeto cênico consiste em refletir sobre as experiências de convívio do ser humano, exprimindo sensações e sentimentos diversos ao ambientar cenologicamente uma “sala de estar” e dispor nela sofá, abajures, tapetes, almofadas, poltrona, cadeiras, luminárias; tendo em cena os cinco intérpretes que compõem a instalação, mais operador de som, um iluminador e um assistente cênico (encarregado de movimentar as peças do cenário) interagindo com os visitantes que ficarão em “cena” o tempo que desejarem. O espetáculo reflete sobre nossas emoções coexistenciais despertando reações emotivas a partir da própria montagem.

Com cenário e sonorização específicos, esta montagem a cada noite, permanecerá por duas horas e meia recebendo ininterruptamente seus espectadores que são parte fundamental do trabalho a ser apresentado e ainda assim, terão total liberdade em suas reações frente ao mesmo.

Este trabalho abriga uma equipe com cinco intérpretes, Rita Aquino e Duto Santana(também diretores), Líria Morays, Leonardo França e Paula Carneiro; a concepção de Luz é de Alexandre Molina; a trilha sonora é de Nana dias e Ed Brás; concepção espacial é de Luís Cláudio Motta; programação visual Luís Cláudio Motta e Francisco Rosa Santana. A Produção é de Paula Carneiro.

Em síntese, esta instalação pode ser compreendida melhor pelas palavras dos seus idealizadores: “Instalação de paisagem acidentada, composta por imagens que condensam universos usuais e oníricos a partir de oscilações de intensidade, transmutações e cortes bruscos. Artistas e público comungam uma espécie de sala de estar inventada, espaço de aguçamento poético-perceptivo simultaneamente íntimo e formal, onde experiências diferenciadas de convívio têm lugar. Ocorrências que se desenrolam no tempo pervertendo sentidos convencionais e possibilitando outras formas de existência, freqüentemente mantidas em standby.

Este trabalho, em suas camadas de densidade, estagnação e movimento, deve ser conferido pela comunidade baiana. Todos os dias serão distribuídas 60 senhas, sendo que, a permanência do espectador irá variar de acordo ao seu desejo, o que poderá ocasionar um afluxo de pessoas bem maior do que o estabelecido pelo número das senhas, já que elas serão redistribuídas assim que um espectador deixe o espetáculo.

Serviço:

Instalação cênica: O engenheiro que virou maça

Direção: Duto Santana e Rita Aquino

Local: Palacete das Artes Rodin Bahia

Visitação: de 10 a 13 de setembro de 2009

Horário: das 18:30 às 21h.

Acesso: distribuição de senhas (60) meia hora antes do espetáculo; redistribuição ao longo das visitações de acordo à saída de espectadores

Endereço: Rua da Graça, 284, Graça

Maiores Informações:

Ascom/ Palacete das Artes – Marlon Marcos (71) 3117-6986

8107-4693

Pé de Jambo

jambo

enquanto vagueia
este gosto de nuvem pelo céu da boca

- alma vermelha dourada -

verte o que virá
pois é quase primavera
e cada parede de dentro de ti
sussurra sedenta
do sulco da flor
do extrato do amor

é quase primavera
e os pés de jambo
saciam o tesão da terra

*Pensei em jambo ante isso aqui:

“Depois serviu-lhe suco de jambo, armou a rede no alpendre e pôs ali uma mesinha com pupunhas cozidas e um bule de café. Ele deitou na rede e, com um gesto, pediu que minha mãe ficasse junto dele”.

Retirado de Dois Irmãos, do Milton Hatoum, que tem me consumido – positivamente – as pestanas e os cílios .

Antonio Cicero

O blog Acontecimentos, do Antonio Cicero, é uma aula. Nele já li delícias. Visito-o sempre, sedento pelas novidades que ele traz, perólas colhidas com sensibilidade. É um arrebatamento.
O que dizer desses dois achados, citados abaixo, referentes aos dois últimos posts do poeta e filósofo?

Ivan Junqueira: “Vai tudo em mim”

Vai tudo em mim

Vai tudo em mim, enfim, se despedindo
neste pomar sem ramos ou maçãs,
sem sol, sem hera ou relva, sem manhãs
que me recordem o que foi e é findo.
Tudo se faz sombrio, e as sombras vãs
do que eu não fui agora vão cobrindo
os ermos epitáfios, indo e vindo
entre as hermas e as lápides mais chãs.
Tudo se esvai num remoinho infindo
de atávicas moléculas malsãs:
essas do avô, do pai e das irmãs
que o sangue foi à alma transmitindo.
Tudo o que eu fui em mim de mim fugindo
em meu encalço vem me perseguindo.

JUNQUEIRA, Ivan. O outro lado. Rio de Janeiro: Record, 2007.

Vladimir Jankélévitch: sobre o tempo

O tempo revela o charme das coisas sem charme. É por isso que o tempo é poeta. Só os
poetas e pintores são capazes de conhecer de imediato o charme do presente. [...] Utrillo [1883-1955] pintava um poste ou um muro num subúrbio sórdido… e isso fazia sonhar. O que os poetas e pintores sabem traduzir no presente, o tempo o traduz para nós que não somos nem pintores nem poetas. É o tempo que é poeta para nós”.

JANKÉLÉVITCH, Vladimir. Citado por: VIANNA, Hermano. “O mercado da desconfiança”. Folha de São Paulo, caderno “Mais”, São Paulo, 6 de setembro de 2009.

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