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Archive for abril \18\UTC 2007

Baía de Todos

o que diria eu então

frente-a-frente e verso desse desbunde?

o que direi eu
corpo solto no mar desta baía

santo de santo
cobertura salgada do meu olhar?

ela que rasga costeiramente
as linhas sensuais
dali, daqui do Solar
onde encontrei o meu amor

não deixa de ser de todos
os santos
e não-santos
dançarinos da vida
dessa cidade

pura, puríssima voz sorrateira
diária
da Bahia

*Crédito da Foto: Maíra Cronemberger Caffé

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Recomeço

Republiquei quase todo o conteúdo do blog antigo. Não queria perdê-lo como da outra vez.
Aqui recomeço essa parte de mim: a poesia. É um redesenho.
Uma dor imensa não poder trazer os comentários. Mas tenho-os na memória do coração.

E vamos à poesia!

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13/11/2006

…e que do mais profundo de mim
brote o amor que mereces, que é teu.

é quando algo me diz
que há um mundo maior que esse
e lá estamos juntos

pra lá, bem pra lá
onde cada um vestirá a sua roupa de carinho
e dividirá o leito pra sempre

você merece o mundo de carinho
e o terá

Feliz Aniversário.

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borboleta de cetim
sassaricando no ar
deste imenso jardim
borboleta de cetim
tem azul, tem amarelo
rodeados de carmim
borboleta de cetim
diz que a vida é turbulenta
nesse sobe e desce sem fim
borboleta de cetim
você que antes era lagarta
como pode ser linda assim?
borboleta de cetim
queria eu poder voar
você ensina para mim?

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deixe assim estar
um minuto, por favor

pare a lâmina na garganta do barbudo
(a barba por fazer)pare a asa mil.movimentos.por.segundo do beija-floros elevadores dos prédios e as correntes das torres
e diga a rapunzel pra não jogar as tranças agora

parem os cambistas a venda ilícita dos ingressos
congelem os cardumes multicoloridos
e a raio do farol da Barra, de Itapuã, do casal que irradia luz de amor

fechem os livros de concursos, de auto-ajuda
a bíblia, os diários, bulas, guardanapos com réstia de álcool,
panfletos, recados, bilhetes,parem a escrita!

Não vêem?!
Nâo vêem vocês que setembro vai passando, acabando,
dizendo adeus
e que só nos resta calar um pouco,
parar um pouco,beijá-lo na facee ler uma poesia, para todos nós, para o mundo?

Vamos todos à forra com a poesia
porque setembro desagua
e só ela, senhora toda dona de setembro – a poesia – saberá como nos salvar até o ano que vem

nos levar até um outro setembro!

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Vem, dia
com os braços longos de mar apoiados no corpo
salgado amor de quem espera o novo
cada canto, todo canto, todo canta a claridade tua

Vem, dia
rebolando – tua parte mulher com teu manto enorme azul, pingado de branco, nuvem-algodão-doce
sei que espreitas tua amiga noite por aí em qualquer parte do horizonte, espraia-se,

à espera pra surpreender os amantes com o passar imbatível das horas

Vem dia, senhor dos movimentos da vida alvoraçada das cidades
da manhã ocupada das lavouras
do chorinho do bebê – olhos grandes abertos

Olha, dia, trates logo de aparecer
por essa rachadura aberta do meu peito
que eu queria, ah! como eu queria!,ser o sol, esse teu filho solícito
impetuoso
que verte sobre a humanidade
a alegre carícia dos cabelos dourados
dia
a
dia

*Após “Vem, noite”, de Pessoa, na voz cálida e profunda de Autran. Inspiração arrebatadora.

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Chuvisco

Cidade mais cinza não há.
Cidade mais fria não há.
Você disse que viria.
Eu abri o armário, o peito, os olhos,
forrei a mesa com aquele pano branco rendado.

Acendi velas, fiz jantar,
ajeitei os edredons e botei “Minha vida sem mim” no vídeo.
Mas, ah! cidade, desgraçada a minha espera!
Mas, ah! demônios, você disse que o frio, o frio, imã dos amores!, era o problema que impedia a sua vinda.


Eu não ouvi. Fingi que foi o ônibus que não passou, que alguma enchente
te colocou numa ilha,
fiz de conta até que sua mãe, que mora na Sibéria,
disse que lá estava mais quente que aqui
e você resolveu fazer seu papel de filho

Prostrada, mas com um fio dilacerante de esperança,
coloquei a cadeira de balanço em frente à janela
e torci pra que esse chuvisco, esse chuvisco de nada,
não atrapalhasse a nossa vida.

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