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Archive for maio \25\UTC 2009

ping-pong-de-carinho

um cheiro

um beijo

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pontopragente

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Retirada de http://www.codice.com.br“Visita a Murilo Mendes, doente. O casarão tem aparência de sanatório (é a proprietária que o lembra).  Fica entre árvores de um jardim malcuidado mas acolhedor. Largas escadas, grandes janelas e portas, muito silêncio. A velha dona da casa recebe-me com reserva, e só depois de minucioso interrogatório, metade em francês metade em português, é que me aponta o caminho: ‘No fundo do corredor, a porta com o retrato de Mozart…’

Murilo de pijama, andando pelo quarto, com o abatimento natural à doença, em que eu procuro não reparar, com o pudor ou a timidez que quase me faz pedir desculpas ao doente por visitá-lo no momento de sua inferioridade física. Disseram-me que estava liquidado, mas essa minha maneira de visitar os enfermos não me permite verificação a fundo, tão cruel mesmo quando motivada pelo interesse da amizade, e que outros fazem naturalmente.

Dou-lhe papel a assinar – a decisão do concurso de poesia estudantil de guerra, de que somos julgadores, e procuro falar-lhe, sem muito jeito, de coisas alheias à doença. Mas a doença está no quarto, entrando aqui e ali na conversa, por mais que eu a ignorasse. Murilo diz-me que as visitas lhe fazem um grande bem. Precisa de companhia, de contatos, pergunta se tenho feitos versos, anima-se quando lhe digo que o julgo sempre participante da vida, integrado nela, e que isso aconteceria mesmo que o trancassem incomunicável numa prisão”.

O relato data de 1943 e foi escrito por Carlos Drummond de Andrade. Esta e outras reminiscências estão contidas no livro “Prosa Seleta, Volume Único”, que tive a sorte de encontrar na promoção na Saraiva. De cento e conquenta e tanto por setenta reais. Além de crônicas, contos, aforismo, há uma espécie de diário do escritor que compreende o período entre 1943 e 1977. Fatos históricos, situação de bastidores do poder, encontro entre escritores, observações pessoais sobre os mais variados assuntos, tudo datado. Todos os textos selecionados pelo autor.

“(…)Se os leitores encontrarem nestas páginas o eco de um tempo abolido, terei resgatado a minha nostalgia e fornecido matéria para conversa de pessoas velhas e novas (…). Animou-me a ingênua presunção de que possam dar ao leitor um reflexo do tempo vivido de 1943 a 1977, menos por mim do que pelas pessoas em volta, fazendo lembrar coisas literárias e políticas daquele Brasil sacudido po ventos contrário. Fui, talvez, observador no escritório”.

Nada mal se inteirar um pouco da história, sentindo como se estivesse num sofá, proseando com Drummond.

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Salto Ornamental

besouro bravio

pulou lá do galho

de cabeça no rio

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receita médica

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beber a lua
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A Academia de Letras da Bahia promove seminário sobre escritora baiana Helena Parente Cunha. Reproduzo matéria do Jornal A Tarde, publicada no Caderno 2 desta quarta-feira.

LIANA ROCHA
lrocha@grupoatarde.com.br

Ansiar por algo, a aparentemente eterna condição do ser humano, sempre rendeu inspiração aos escritores. Por isso nada mais oportuno que As formas informes do desejo seja o título do seminário realizado pela Academia de Letras da Bahia (ALB), de hoje a sexta-feira, em homenagem à escritora baiana Helena Parente Cunha.

O título, que é baseado num dos capítulos de um dos seus romances, foi aprovado pela escritora.

“”Trata-se de uma constante temática que me acompanha explícita ou implicitamente, no desdobramento do meu texto“, comprova.

DIVERSIDADE – A obra da autora, radicada no Rio de Janeiro, onde é professora emérita da Universidade Federal, é diversificada.

Inclui contos, romances, ensaios e também traduções.

Para a Academia, Helena possui uma escrita onde se atravessam inúmeras vozes e tipologias discursivas.

O professor-doutor Edivaldo Boaventura, presidente da ABL, destaca que Helena tem a particularidade de ser ao mesmo tempo professora de Literatura e autora. “Ela conhece a temática teoricamente, e a pratica, como contista, romancista e poeta. E isso tudo vamos cobrir no seminário“, promete.

Para analisar as nuanças do trabalho, foram convidados diversos estudiosos da obra de Helena. Segundo a coordenadora do encontro, a professoradoutora Evelina Hoisel (Instituto de Letras da Ufba), será feito um amplo estudo da produção da escritora, e mais: “Também contemplamos a figura desta mulher“.

Assim, convidados que têm estudos acadêmicos sobre a obra da autora também falarão de sua trajetória em “depoimentos com afetividade“, como diz Evelina.

Para ela, essa ideia, já realizada em outros seminário, ajuda a desmistificar o autor: “E Helena gosta muito desse diálogo com o leitor“, finaliza.

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A propósito do “dom” de Caetano Veloso para entrevistas, citado por Marlon no Terra Magazine (“O compositor e cantor baiano Caetano Veloso nasceu para os holofotes e, mais que para palcos, nasceu para entrevistas”), eis que me deparo com uma recente, extensa e interessante, na Revista Cult. Encontrei o link através do blog do Antonio Cícero. A quem interessar possa, o link está aqui.

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Intimidade

bicho de goiaba
íntimo da fruta
mordida vira gruta

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