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Archive for agosto \31\UTC 2009

Martha Medeiros concedeu uma entrevista à Saraiva Conteúdo que vale a pena ser lida. A bola da vez é o filme Divã, baseado em livro dela.  Trechos da entrevista abaixo.

“O que chegou primeiro: a prosa ou a poesia?

Medeiros. Primeiro veio a poesia. Achei que ia parar na poesia, inclusive. Nunca achei que tivesse talento para prosa. Meu primeiro livro de poesia saiu por aquela coleção, Cantadas Literárias, do Caio Graco Prado, na Brasiliense. Nossa, achei um luxo.

Foi nessa coleção que o Caio Fernando Abreu lançou o primeiro livro…

Medeiros. Nesta coleção estava Ana Cristina César, LeminskiCacasoChacal… Era uma turma da pesada, eu tive a sorte de ter meu livro editado por essa coleção. Em seguida com o primeiro, vem o segundo, o terceiro… Daí as portas se abrem com mais facilidade. Mas eu achei que ia ser pra sempre assim: a poesia como uma espécie de hobby e a propaganda – trabalhei anos como publicitária – a minha profissão. Não imaginei que ia ter esses desdobramentos todos. Foi uma surpresa que eu começasse a escrever crônica, depois ficção, e que acontecesse tudo isso.

Você sente mais prazer em trabalhar com um determinado gênero?

Medeiros. Prazer eu tenho em escrever, ponto. Gosto de todos. Mas eu admito que a ficção é mais desafiadora para mim, justamente porque é o que tenho menos experiência. É interessante criar um personagem, me dá uma certa liberdade de experimentar mais emoções que não vivi, coisas novas. Apesar de que sou muito umbilical, escrevo muito sobre meu universo. Mas ainda assim a ficção me desafia. Porque eu não sei escrever ficção! Essa que é a verdade. Não sei nem se a gente sabe escrever. Ou se eu sei escrever crônica ou poesia, ao menos tenho mais familiaridade. Com ficção ainda não, mesmo com o Divã (Objetiva, 2002) sendo o sucesso que foi e tudo… Ainda é uma coisa meio surpreendente para mim. Como leitora, gosto mais de ficção do que de poesia e de crônica. Então é interessante desenvolver mais esse lado. Mas prazer eu sinto com todos os gêneros”.

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Feliz

como a vida
comovida

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Cartas de amor

Não se pode negar: as cartas, os poemas rabiscados nelas, as lágrimas que porventura borraram os escritos a lápis, a expectativa da resposta são indispensáveis aos amores. Falo em cartas e amores porque vi duas coisas. A primeira é essa abaixo:

Em “Flores Azuis”, finalista do Prêmio Jabuti escreve cartas de amor

ANAÍSA CATUCCI
colaboração para a Folha Online

Rodrigo Paiva/Divulgação/Folha Imagem
Segundo romance da autora Carola Saavedra, "Flores azuis", concorre na primeira etapa dos finalistas para o Prêmio Jabuti 2009
Segundo romance da autora Carola Saavedra, “Flores azuis”, concorre na primeira etapa dos finalistas para o Prêmio Jabuti 2009

O segundo romance da chilena Carola Saavedra, 36, “Flores Azuis” (Companhia das Letras), foi indicado como finalista do 51º Prêmio Jabuti na última quinta-feira (20). Com uma história de amor que acabou, o livro é definido pela autora como “um ensaio da questão da escrita e da leitura”.

Durante nove dias a personagem escreve cartas na tentativa de seduzir e reconquistar o homem separado. Entregue em envelopes azuis, as cartas relatam momentos de convívio e a falam dos dias anteriores ao rompimento. No entanto, no endereço onde as cartas são entregues não é mais o apartamento do amado. Quem recebe as cartas é o novo inquilino, Marcos, que acabou também de se separar. Movido pela curiosidade, Marcos lê, fica entusiasmado, se apaixona pela mulher e começa a procurá-la pela cidade.

Leia íntegra da entrevista concedida à Folha Online.

Folha Online – Porque você escolheu as cartas como meio de comunicação. Elas já não foram esquecidas com a internet?

Carola Saavedra – Escolhi a carta porque a personagem está presa ao passado. A carta para ela é uma forma de ocupar espaço –porque ela queria de alguma forma atingir esse homem–, de continuar fazendo parte da vida dele. O e-mail seria alguma coisa muito abstrata, pois ele poderia facilmente deletar. Na cabeça da personagem a carta é algo concreto, ocupa um espaço. Ela diz em algum momento no livro assim: “mesmo que você não abra o envelope, que você não leia a carta, ela existe, está ali, ocupa espaço e você vai ser obrigado a jogar fora ou fazer alguma coisa com ela”. A escolha pela carta é uma ideia do concreto, é algo que ocupa espaço. Também está relacionado com a personagem apaixonada, que é romântica, que tem um amor extremo e exagerado. Além da relação com a nostalgia, da dificuldade de abrir mão do passado ou daquilo que já passou.

A segunda, é esse vídeo.

E como não pensar em Álvaro de Campos?

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

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Ô historinha boa de ler logo pela manhã. Texto completo lá no Terra Magazine.

André Setaro
De Salvador (BA)

“1) Luiz Carlos Barreto, numa longa entrevista à TV Senado, que passou recentemente, conta a sua trajetória de homem de cinema e, lá pelas tantas, fala de Dona Flor e seus dois maridos, o maior sucesso de bilheteria de todos os tempos baseado em romance homônimo de Jorge Amado e dirigido por seu filho, Bruno Barreto. O ano, 1976, a ditadura militar exercia poderosa censura sobre todos os filmes. E implicou com “Dona Flor”. Queria proibi-lo. Barreto foi à Brasília tentar convencer os censores, mas tudo em vão.

2) De repente, ao sair de um ministério, encontra, por acaso, Amália Lucy, filha de Ernesto Geisel, o general de plantão, a quem se atribui o dito de Chico Buarque de Holanda (“você não gosta de mim, mas sua filha gosta”). Barreto já conhecia Amália, e ela, surpresa, perguntou o que ele estava a fazer em Brasília. O produtor disse a ela que Dona Flor e seus dois maridos tinha sido proibido pela censura. Mas por quê? indagou a filha do general, que manifestou desejo de ver o filme.

3) Barreto marcou um encontro numa sala de exibição brasiliense e projetou “Dona Flor” para Amália Lucy. No final, ela revelou a ele ter gostado muito do filme e não via razão para ser proibido. E disse a Barreto: “Quem gostaria muito de ver seria meu pai, pois ele gosta dos romances de Jorge Amado” O célebre produtor, surpreso, ia dizer alguma coisa, quando ela o interrompeu: “Você não conhece meu pai. Vamos marcar uma sessão no Palácio do Planalto. Marcada a exibição, Barreto entrou meio constrangido para projetá-lo para Geisel e encontrou uma sala toda equipada para a sessão especial, com farta distribuição de ‘scotch’ e salgadinhos”.

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  • Encontro Internacional de Contadores de História , realizado na Caixa Cultural Salvador (Centro), traz hoje as seguintes atrações: Fabiano Moraes (10h30), Carolina Rueba (15h), Sérgio Belo (18h) e Rubén Lopez (20h). Inno Sorsy, Gislayne Matos e Cucha del Aguila fazem ofina de narração de história. Para participar, basta 1 kg de alimento não-perecivel.
  • O legado e a obra de Joge Amado são os temas do seminário Novas Letras na Academia de Letras do Bahia, à partir das 15h. Hojte três palestras serão ministradas por Nancy Vieira, Edilene Dias Matos e Eliana Mara Chiosi. Evento prossegue até sexta-feira. Entrada franca.
  • Viagem do príncipe austríaco Maximiliano de Habsburgo à Bahia do século XIX é tema de palestra e livro. A explanação acontece hoje, às 17h30, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, com a autora Moema Parente Augel, mestre em Ciências Humanas pela UFBA e doutora em Literautras Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Entrada gratuita.

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Retirei do Poesia Hoje:

No dia 1° de setembro, em Salvador (BA), a editora P55/Cartas Bahianas lança “Caixa preta”, estréia em livro do poeta baiano Nilson Galvão, com poemas originalmente publicados no blog Blag.

Uma semana antes, nesta terça-feira, 25 de agosto, às 19h, o livro tem pré-evento promocional no mezanino da pizzaria Piola (Rio Vermelho), com debate sobre a convergência entre literatura e internet e a presença de blogueiros e twitteiros locais e do escritor e editor Claudius Portugal, responsável pelo projeto Cartas Baianas (que publicou ao longo de 2009 um conjunto de oito livros de autores da cena soteropolitana, incluindo os poetas Vanessa Buffone e Marcos Dias).

Caixa preta” será lançado na livraria Tom do Saber (Rio Vermelho), das 17h às 22h, do dia 1° de setembro. Exemplares do livro podem ser reservados com antecedência através do hotblog Cartas Bahianas.

Em entrevista publicada no blog da editora, Nilson fala sobre seu processo criativo e suas pretensões:

“(…) deve ter um espírito poético qualquer entre a Praia da Paciência, no Rio Vermelho, e a Barra, me soprando coisas, porque 80% das ideias surgem nesse trajeto das caminhadas. Levo o celular com gravador de voz pra ficar gravando o que ocorre. (…) o que escrevo funciona sempre como uma espécie de investigação em torno das minhas questões. Tipo: isso me ajuda a entender essa coisa maluca que é a vida, e em muitos níveis: do mais sagrado ao mais prosaico. Mas é muito difícil exprimir ‘a realidade’ e não tenho muita ilusão quanto a isso: talvez ‘roce’, às vezes, mas em geral é como se estivesse tateando, percorrendo a orla, como nas caminhadas a partir do Rio Vermelho”.

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os-girassois-van-gogh
debruçada na janela
até os girassóis
se viram pra ela

(Em homenagem a Maíra, minha flor, e Van Gogh – pelos girassóis mais lindos que já vi)

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