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Posts Tagged ‘biblioteca nacional’

Como prometido, a segunda poesia retirada da revista “Poesia Sempre”, da Fundação Biblioteca Nacional, número 21.

 Teu Azul

Nado em ondas turquesas
que rebentam em teus olhos

quando amas.

Merguho na volúpia marinha,
de tua boca na minha,

quando desejas.

E sempre transborda de azul
o teu corpo que afaga

e naufraga em mim.

*Fernando Paço Borges nasceu no Rio de Janeiro em 1971. Formado em arquitetura em 1995, estuda artes na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

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Quando visitei a Bienal este ano, fiquei surpreso com dois livros que comprei. E o espanto teve, basicamente, um motivo: a qualidade do conteúdo, por um preço baratinho. Foi no estande da Fundação Biblioteca Nacional e ambos se chamam “Poesia Sempre”. Explico: têm o mesmo título porque trata-se de uma revista da FBN (em formato de livro), com publicação periódica.

Nas primeiras páginas, sempre um dossiê de algum escritor em especial, no meu caso, Manoel de Barros e Augusto de Campos. Dossiê, entenda: entrevista, ensaios sobre o autor, obras inéditas. Tudo na medida pra ficar por dentro dos escolhidos. No final do livro, ensaios outros, inclusive um maravilhoso sobre Ana Cristina Cesar!

Aí, no miolo, algo bastante bom: poesias e poesias e poesias das mais diversas, de qualidade e, algumas, de nomes não tão conhecidos (pelo menos a mim assim me pareceram). Um tipo de panorama da poesia nacional, cada edição com 30 poetas. Comprei os livros/revistas de números 17 e 19, que datam do ano de 2004.  E fiquei na vontade de comprar todos os números anteriores e atuais (já até enviei e-mail pra FBN pra saber como fazê-lo). Ah, o preço! R$ 16.

Isso tudo, um narizinho de cêra pra poder postar dois poemas lindos que não conhecia e que retirei de “Poesia Sempre”.

Enfeite

Enquanto não vinhas
eu pastorava as brisas
e à noite, juntava todas
nas cercas do meu sono.
Depois construía praças e jardins
com as palavras empilhadas sobre as cartas
com as cartas empilhadas sobre os dias
com os dias empilhados sobre o nunca.
Arquitetava flores e outra engenharia do tempo
enquanto não vinhas
e nada, nada, era belo assim.
Enquanto não vinhas
fiz para mim esta urna funerária
com que enfeitas hoje,
inadvertidamente,
a tua sala.

*Micheliny Verunschk, poetisa, pernambucana. Publicou os livros Geografia íntima do deserto (2003, Landy), livro finalista do Prêmio Portugal Telecom 2004, e O observador e o nada (2003, Edições Bagaço). Participou das antologias Na virada do século-poesia de invenção no Brasil (2002) e Invenção Recife (2004)

No proximo post, trago outra.

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