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Bienal do Livro da Bahia 2009 bate recorde de público

A 9ª Bienal do Livro da Bahia, encerradano último domingo superou as expectativas dos idealizadores. Em 10 dias de atividades, 272 mil pessoas passaram pelo Centro de Convenções da Bahia, um crescimento de 20% em relação a 2007. A Programação Cultural também bateu recordes. No total, a Bienal do Livro contou com mais de 110 sessões e a participação de 250 autores, maior número de todas as edições. O público, que prestigiou a todas as sessões, teve a oportunidade de ver de perto seus autores preferidos, como Antonio Calloni, Charbel El Hani, Elisa Lucinda, Gilberto Dimenstein, Gilvã Mendes, Heloísa Perissé, Jean Wyllis, José Inácio Vieira de Melo, Moacyr Scliar, Nelson Motta, Pasquale Cipro Neto, Rubem Alves, Ruy Castro, Ruy Espinheira Filho e Zuenir Ventura, entre muitos outros.

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Ruy estava lá: sentado num banco de madeira, os óculos pendurados por cordões fixados às hastes.  “Lá” é a Bienal. “Ruy” é o Espinheira Filho. Relaxado, mostrava que a casa da poesia lhe é familiar e recitava alguns poemas, meio debruçado sobre o livro que trazia apoiado nas pernas e que, de longe, parecia um compêndio dos seus escritos.

Ruy - Imagem do Jornal A Tarde

“Infelizmente esse eu não tenho aqui”, respondeu, se referindo ao pedido de uma senhora para que recitasse Epifania.  Eu trago, então, Ruy.

Alguns anos não consigo
deixar nas águas do Lete:
os teus catorze morenos
e os meus magros dezessete.
Muitas coisas se afogaram,
e rostos, e pensamentos,
e sonhos, e até paixões
que eram imortais…
Porém,
os meus magros dezessete
e os teus catorze morenos
não entram nem em reflexo
nesse Rio do Esquecimento.

Que magia nos levou
a um espaço e a um momento
para que de nós soubéssemos:
tu, meus magros dezessete;
eu, teus catorze morenos?
Que astúcia do Imponderável
nos abriu aqueles dias
que permanecem tão claros
como quando nos surgiram?
Eu não sei. Mas sei que a vida
nunca mais me foi vazia.

Como não foi fácil, nunca,
por tanto me visitarem
os Arcanjos da Agonia.
Pois, se fui iluminado
por estarmos lado a lado
— os teus catorze morenos
e os meus magros dezessete —,
seria fatal que também
viesse a sentir a alma
em chagas multiplicadas
por setenta vezes sete.

Ah, os teus catorze morenos
e os meus magros dezessete!…
Quanto sofrimento fundo
— mas quanto sonho profundo
e alto!
Que belo mundo
foi-me então descortinado,
porquanto me era dado
o privilégio preclaro
de penar de amor no claro,
no escuro, em todas as cores,
em todos os tons da vida,
dia e noite, noite e dia,
varrido ao vento das asas
dos Arcanjos da Agonia
(que eram, por algum prodígio,
os mesmos da Alegria!…).

Ah, que por mim chorem flautas,
pianos, violoncelos,
as cachoeiras, os céus
comovidos dos invernos…
Chorem, chorem, que mereço
essas lágrimas, porque
tudo sofri no mais pleno
de paraísos e infernos.
Que chorem…
Mas eu, eu mesmo,
não choro… Como chorar,
se mereci essa dádiva
de um amor doer na vida
por setenta vezes sete
mais que qualquer outra dor,
mais que qualquer outro amor?
Só me cabe agradecer,
pois a vida perderia
(e, o que ainda é mais cruel,
sem nem saber que a perdia…)
se não provasse os enredos,
insônias, febres, venenos
que em meus magros dezessete
acendeu a epifania
dos teus catorze morenos!

O pedido, então, passou de mãos. Caiu na boca de um rapaz que teve mais sorte: Canção depois de tanto era mais pedida, mais famosa. “Engraçado que volta e meia me pedem para recitar este”. Não por menos, prezado: é lindo!

CANÇÃO DE DEPOIS DE TANTO

a Roniwalter Jatobá

Vamos beber qualquer coisa,
que a vida está um deserto
e o coração só me pulsa
sombras do Ido e do Incerto.

Vamos beber qualquer coisa,
que a lua avança no mar

e há salobros fantasmas
que não quero visitar.

Vamos beber qualquer coisa
amarga, rascante, rude,

brindando sobre o já frio
cadáver da juventude.

Vamos beber qualquer coisa.
O que for. Vamos beber.

Mesmo porque não há mais
o que se possa fazer.

Depois dali, peguei a minha sacolinha com alguns livros de poemas, dei a mão a Docinho, e saí. Talvez eu volte na Bienal.

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“A vida imita a literatura ou é o contrário?”, com Luiz Ruffato e Arnaldo Bloch – 18h

“Atualmente, a internet é o lugar da poesia?”, com Antônio Calloni, José Inácio Vieira de Melo e Marcus Accioly – 20h

“Como sobreviver na universidade?”, com Luciano Amaral Oliveira e Jean Wyllis – 15h30

“Com Obama, sem racismo?”, com Marcelino Freire e Ubiratan Castro -19h

Poesia, com Antonio Naud Júnior, Rita Santana e Idmar Boaventura – 18h

Cordel, com Carlos Neves, Creusa Meira, José Olívio, Maysa Miranda, Rogério Snatus e Tarcísio Mota – 19h10

Poesia, com Martha Galrão, Marcus Vinícius Rodrigues e Nívia Maria Vasconcellos – 20h20

Recital, com as crianças da Biblioteca Comunitária do Calabar – 10h15

Contação de Histórias, com Rita Margareth – 11h

Oficina “Cantos e Encantos”, com Rita Margareth e Rodrigo Rocha Pita – 14h

Teatro “Peça Maluca”, com Rodrigo Rocha Pita e as Crianças da Biblioteca Comunitária do Calabar – 15h

Contação de Histórias, com Rita Margareth e Rodrigo Rocha Pita – 16h

Recital, com as crianças da Biblioteca Comunitária do Calabar – 17h

Teatro “O Mundo Encantado da Leitura”, com Lázaro Vitório – 17h30

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Homenagem a Jorge Amado e Zélia Gattai

Um dos espaços mais concorridos da Bienal do Livro da Bahia, o Café Literário abre sua programação com uma homenagem especial a Jorge Amado e Zélia Gattai, dois autores cuja trajetória é parte fundamental de nossa literatura.

Agenda: Sessão “Jorge Amado e Zélia Gattai, uma história de amor à Bahia e à literatura”, com Moacyr Scliar, Jackson Costa, Paloma Amado, João Jorge e Myriam Fraga. Dia 17/04, às 20h, no Café Literário.

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