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Posts Tagged ‘poema’

“Não é, Raana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho.”

Do livro:
POUND, E. Antologia poética de Ezra Pound. Organização, apresentações e traduções por CAMPOS, A.; CAMPOS, H.; FAUSTINO, M.; H; PIGNATARI, D.; GRÜNEWALD, J.L. Lisboa: Ulisséia, 1968.

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Certo vôo

Cada
pássaro
sabe
a rota
do retorno.

Cada
pássaro
sabe
a rota
de si.

Cada
pássaro,
na rota,
sabe-se
pássaro.

Damário da Cruz.

Poeta e jornalista Damário Cruz morre vítima de câncer de pulmão

Redação CORREIO

O Poeta e jornalista Damário da Cruz, morreu na madrugada desta sexta-feira (21) no Hospital Jorge Valente, em Salvador. Ele vinha realizando há meses um tratamento contra câncer de pulmão. Poeta e jornalista, o corpo dele está sendo velado até o meio-dia no Cemitério Jardim da Saudade na capital.

No início da tarde, segue para Cachoeira, cidade em que vivia, onde será velado no prédio da Câmara de Vereadores e, em seguida, sepultado no Cemitério da Piedade. As informações são da Agecom.

*de Antônio Pastori

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de Celso Gutfreind

Embora tornado texto
frio, gabinete, impres-
tável para os quintais,
fechado em coisas de coisas
velhas, frias e sem dança,
a cada novo capítulo,
escreve-se uma esperança.

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A lição veio através de Elisa Lucinda, citando Adélia Prado, no Saraiva Conteúdo. Um poema lindo (reproduzido abaixo), imerso em uma ótima entrevista.

Ex-voto

Na tarde clara de um domingo quente, surpreendi-me
Intestinos urgentes, ânsia de vômito, choro
Desejo de raspar a cabeça e me por nua no centro da minha vida
E uivar até me secarem os ossos
Que queres que eu faça Deus?

Quando parei de chorar, o homem que me aguardava disse-me:
Você é muito sensível, por isso tem falta de ar!
Chorei de novo porque era verdade e era também mentira, sendo só meio consolo

Respira fundo, insistiu!
Joga água fria no rosto, vamos dar uma volta, é psicológico

Que ex-voto leva à Aparecida se não tenho doença e só lhe peço a cura?
Minha amiga devota se tornou budista. Torço para que se desiluda e volte a rezar comigo as orações católicas.

Eu nunca ia ser budista!
Por medo de não sofrer, por medo de ficar zen
Existe santo alegre ou são os biógrafos que os põem assim felizes como bobos?

Minas tem coisas terríveis.
A serra da piedade me transtorna.
Em meio a tanta rocha de tão imediata beleza, edificações geridas pelo inferno, pelo descriador do mundo.

O menino não consegue mais, vai morrer, sem força para sugar a corda de carne preta do que seria um seio, agora às moscas.

Meu coração é bom mas não aceita que o seja.
O homem me presenteia.
Porque tanto recebo quando seria justo mandarem-me à solitária?

Palavras não, eu disse. Eu só aceito chorar!
Porque então limpei os olhos quando avistei roseiras e mais o que não queria, de jeito nenhum queria aquela hora, o poema, meu ex-voto.
Não a forma do que é doente, mas do que é são em mim.
E rejeito e rejeito premida pela mesma força do que trabalha contra a beleza das rochas.

Me imploram amor Deus e o mundo.
Sou pois mais rica que os dois.
Só eu posso dizer a pedra: És bela até a aflição!
O mesmo que dizer a ele: Sois belo, belo, sois belo.

Quase entendo a razão da minha falta de ar
Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor.

A uns, Deus os quer doentes, a outros quer escrevendo.

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Essa coisa sintética, concisa, pequeninha e delicada dos haicais e afins tem me tomado.  Fico matutando um bocado e percebendo que o mundo tá tão cheio de miudezas deste tipo… Aí, encontro o Palavra Desenhada, que traz isso:

palavra desenhada1

E mais isso:

palavra desenhada

Pronto. Me esbaldo. Ô coisa boa esse troço de olhar poético, não?

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rua dos colibriscolibris
minha morada

saio com dois pássaros
nos olhos
Leão-de-chácara nas mãos
Affonso Romano na boca

a máquina do mundo
azeitada pelos homens
sacode

eu
tal qual você
vou comendo a semana

degusto a segunda
empurro a terça
cinema na quarta
quinta-feira é esquina
sexta-feira escorrega pela garganta

sábado domingo sobremesa

rua dos colibris
minha morada

me desfaço dos pássaros nos bolsos
para enchê-los-do-que-virá

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“Pastorela

Amanauense do verso quero tangê-lo como o pastor tange a ovelha. Ou trabalhá-lo como marceneiro trabalha a madeira, escolhendo o cerne, aprofundando o veio em seu mudo labirinto, talhando até encontrar, lacrado na madeira aquele perdido como ovelha, buscava entre espinhos e arbusto: o poema”.

Neide Archanjo, em Todas as horas e antes. Para alimentar a vontade minha e de tantos outros de fazer nascer poema. Dia sim, dia sim.

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