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capacabralFiquei sabendo, através do Poesia Hoje, que a revista online Sibila dedica o seu 13º número a João Cabral de Melo Neto, inclusive com a publicação da entrevista mais longa já concedida pelo poeta pernambucano, realizada ao longo de cinco dias, com quase quatro horas de gravação. Assim, a evista define a 13ª edição:

“A revista Sibila dedica o seu 13º número inteiramente a João Cabral de Melo Neto, em homenagem aos dez anos de sua morte.

Nas mais de 130 páginas que compõem este número especial em pdf, o leitor poderá acompanhar o depoimento mais longo já concedido por João Cabral. Trata-se de sua última entrevista – um verdadeiro testamento –, concedida em 1999 a Bebeto Abrantes, diretor do documentário Recife/Sevilha – João Cabral de Melo Neto (2003). Realizada ao longo de cinco dias, as mais de quatro horas de gravação só agora foram transcritas e disponibilizadas na íntegra com exclusividade aos leitores de Sibila. Temas como a infância no Recife, a relação com poetas, pintores e arquitetos, os primos Manuel Bandeira e Gilberto Freyre, as touradas e a dança flamenca, entre outros, são aqui abordados com extrema lucidez pelo autor de Morte e vida severina. Deste modo, Sibila espera estar prestando a mais justa homenagem a um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos”.

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Quando visitei a Bienal este ano, fiquei surpreso com dois livros que comprei. E o espanto teve, basicamente, um motivo: a qualidade do conteúdo, por um preço baratinho. Foi no estande da Fundação Biblioteca Nacional e ambos se chamam “Poesia Sempre”. Explico: têm o mesmo título porque trata-se de uma revista da FBN (em formato de livro), com publicação periódica.

Nas primeiras páginas, sempre um dossiê de algum escritor em especial, no meu caso, Manoel de Barros e Augusto de Campos. Dossiê, entenda: entrevista, ensaios sobre o autor, obras inéditas. Tudo na medida pra ficar por dentro dos escolhidos. No final do livro, ensaios outros, inclusive um maravilhoso sobre Ana Cristina Cesar!

Aí, no miolo, algo bastante bom: poesias e poesias e poesias das mais diversas, de qualidade e, algumas, de nomes não tão conhecidos (pelo menos a mim assim me pareceram). Um tipo de panorama da poesia nacional, cada edição com 30 poetas. Comprei os livros/revistas de números 17 e 19, que datam do ano de 2004.  E fiquei na vontade de comprar todos os números anteriores e atuais (já até enviei e-mail pra FBN pra saber como fazê-lo). Ah, o preço! R$ 16.

Isso tudo, um narizinho de cêra pra poder postar dois poemas lindos que não conhecia e que retirei de “Poesia Sempre”.

Enfeite

Enquanto não vinhas
eu pastorava as brisas
e à noite, juntava todas
nas cercas do meu sono.
Depois construía praças e jardins
com as palavras empilhadas sobre as cartas
com as cartas empilhadas sobre os dias
com os dias empilhados sobre o nunca.
Arquitetava flores e outra engenharia do tempo
enquanto não vinhas
e nada, nada, era belo assim.
Enquanto não vinhas
fiz para mim esta urna funerária
com que enfeitas hoje,
inadvertidamente,
a tua sala.

*Micheliny Verunschk, poetisa, pernambucana. Publicou os livros Geografia íntima do deserto (2003, Landy), livro finalista do Prêmio Portugal Telecom 2004, e O observador e o nada (2003, Edições Bagaço). Participou das antologias Na virada do século-poesia de invenção no Brasil (2002) e Invenção Recife (2004)

No proximo post, trago outra.

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